Tratamento – Benefícios conforme
Consenso da Associação Brasileira do Climatério (Sobrac) – 2004
Os estudos mostram que a terapêutica hormonal alivia efetivamente os sintomas
do climatério, como ondas de calor (fogachos), insônia, irritabilidade,
depressão e distúrbios relacionados aos órgãos genitais (ressecamento vaginal,
prurido vulvar, incontinência urinária, entre outros), proporcionando melhor
qualidade de vida às mulheres.
Indicações e contraindicações
Segundo a Sobrac, para indicar a
TH, o médico deve observar se os sintomas da menopausa, principalmente ondas de
calor, alterações menstruais, atrofia urogenital e tendência à osteoporose,
interferem na qualidade de vida da paciente. O presidente do Conselho
Científico da Sobrac e coordenador geral do consenso, Dr. César Eduardo
Fernandes, destaca: “Nesses casos, os estudos científicos apresentam benefícios
comprovados, mas as contraindicações devem ser igualmente avaliadas”. O médico
deve verificar se a paciente possui antecedentes ou riscos elevados de doenças
como tromboembolia, câncer de mama, câncer de endométrio e doença hepática,
além de apresentar sangramento vaginal não diagnosticado ou porfiria (distúrbio
provocado por deficiências de enzimas).
Menor dose efetiva
Muitos dos efeitos benéficos e
adversos da terapia estão relacionados à dose hormonal, por isso, a tendência é
que elas sejam reduzidas, de forma a trazer perspectivas para diminuir os
riscos do tratamento. “A menor dose efetiva é a mais indicada”, informa Fernandes.
Tratamento individualizado
Até quando a TH deve ser mantida?
De acordo com o documento da Sobrac, ainda não há um consenso sobre essa
questão, mas a continuação ou interrupção depende de criteriosa análise da
relação risco/benefício. “O tratamento deve ser individualizado, pois é preciso
acompanhar a manutenção dos benefícios, a melhora da qualidade de vida e o
aparecimento de efeitos adversos”, ressalta o médico. “A preferência da mulher
em continuar ou não o tratamento é um item importante a ser considerado”,
completa.
Sobre a Sobrac: A Associação Brasileira de
Climatério (Sobrac) foi fundada em 1986 por um grupo de médicos interessados no
estudo do climatério (masculino e feminino). Hoje a instituição conta com mais
de três mil sócios no País, congregando profissionais da saúde, professores e
pesquisadores. A entidade tem como objetivo contribuir para o aperfeiçoamento
da classe médica, particularmente ginecologistas, por meio de publicações e
eventos, além de difundir informações atualizadas sobre o assunto à sociedade.
O Consenso da SOBRAC continua
atual. A maioria das recomendações do Consenso não sofreu grandes mudanças até
hoje, e ainda é amparada pela mais recente publicação da Sociedade de Menopausa
Norte Americana (NAMS), cujas recomendações atualizadas foram publicadas em
2008, na revista médica Menopaus, transcritos a seguir:
– O tratamento dos sintomas
vasomotores (fogachos) continua a indicação primária para Terapia Hormonal (TH
geral).
– A TH não é recomendada para
tratamento de problemas sexuais exclusivamente.
– A TH não afeta o ganho de peso
ou aumento do índice de massa corpórea.
– A TH não está aprovada para
melhora da qualidade de vida exclusivamente.
– O uso estendido da TH pode ser
opção para mulheres com redução de massa óssea quando outras terapias não são
apropriadas, ou a avaliação risco-benefício é positiva.
– A TH pode reduzir o risco de
doença cardiovascular quando iniciada em pacientes mais jovens e com menopausa
recente.
– A duração mais longa da TH está
associada com menor risco para doenças cardiovasculares e mortalidade.
– Pode haver menor risco de
tromboembolismo venoso com a TH transdérmica em comparação à TH oral, mas não
há evidência científica baseada em estudos randomizados controlados.
– Doses mais baixas podem ser mais
seguras, mas não há evidência científica baseada em estudos randomizados
controlados.
– O risco de câncer de mama pode
estar aumentado com o uso de terapia estrogênio + progestógeno por mais de três
a cinco anos. No entanto, a terapia com estrogênio isolado por menos de cinco
anos tem pouco impacto no risco de câncer de mama.
– Ambas as terapias, com
estrogênio isolado ou com estrogênio + progestógeno podem reduzir a mortalidade
total em 30%, quando iniciados em mulheres com menos de 60 anos.
– O objetivo terapêutico é
utilizar a mais baixa dose efetiva dos hormônios. As vias de administração não
orais podem oferecer vantagens e desvantagens comparadas com a via oral.
– Não há indicação clara se a
duração mais longa de TH melhora ou piora as relações risco-benefício.
– Estender o regime de TH para
muitos anos (acima de cinco anos) deve ser feito com cautela, apenas em casos
específicos.
– A decisão de não interromper ou
reintroduzir a TH deve ser individualizada e quando os sintomas persistirem.
– O uso de TH deve ser
consistente com os objetivos de tratamento, benefícios e riscos para cada
mulher individualmente.
Fonte: Dr. Sergio dos Passos
Ramos CRM17.178 – SP
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