terça-feira, 26 de julho de 2016

Série - Reposição Hormonal: TRATAMENTOS E CUIDADOS

Tratamento – Benefícios conforme Consenso da Associação Brasileira do Climatério (Sobrac) – 2004

      Os estudos mostram que a terapêutica hormonal alivia efetivamente os sintomas do climatério, como ondas de calor (fogachos), insônia, irritabilidade, depressão e distúrbios relacionados aos órgãos genitais (ressecamento vaginal, prurido vulvar, incontinência urinária, entre outros), proporcionando melhor qualidade de vida às mulheres.


Indicações e contraindicações

      Segundo a Sobrac, para indicar a TH, o médico deve observar se os sintomas da menopausa, principalmente ondas de calor, alterações menstruais, atrofia urogenital e tendência à osteoporose, interferem na qualidade de vida da paciente. O presidente do Conselho Científico da Sobrac e coordenador geral do consenso, Dr. César Eduardo Fernandes, destaca: “Nesses casos, os estudos científicos apresentam benefícios comprovados, mas as contraindicações devem ser igualmente avaliadas”. O médico deve verificar se a paciente possui antecedentes ou riscos elevados de doenças como tromboembolia, câncer de mama, câncer de endométrio e doença hepática, além de apresentar sangramento vaginal não diagnosticado ou porfiria (distúrbio provocado por deficiências de enzimas).

Menor dose efetiva

      Muitos dos efeitos benéficos e adversos da terapia estão relacionados à dose hormonal, por isso, a tendência é que elas sejam reduzidas, de forma a trazer perspectivas para diminuir os riscos do tratamento. “A menor dose efetiva é a mais indicada”, informa Fernandes.

Tratamento individualizado

      Até quando a TH deve ser mantida? De acordo com o documento da Sobrac, ainda não há um consenso sobre essa questão, mas a continuação ou interrupção depende de criteriosa análise da relação risco/benefício. “O tratamento deve ser individualizado, pois é preciso acompanhar a manutenção dos benefícios, a melhora da qualidade de vida e o aparecimento de efeitos adversos”, ressalta o médico. “A preferência da mulher em continuar ou não o tratamento é um item importante a ser considerado”, completa.

Sobre a Sobrac: A Associação Brasileira de Climatério (Sobrac) foi fundada em 1986 por um grupo de médicos interessados no estudo do climatério (masculino e feminino). Hoje a instituição conta com mais de três mil sócios no País, congregando profissionais da saúde, professores e pesquisadores. A entidade tem como objetivo contribuir para o aperfeiçoamento da classe médica, particularmente ginecologistas, por meio de publicações e eventos, além de difundir informações atualizadas sobre o assunto à sociedade.
O Consenso da SOBRAC continua atual. A maioria das recomendações do Consenso não sofreu grandes mudanças até hoje, e ainda é amparada pela mais recente publicação da Sociedade de Menopausa Norte Americana (NAMS), cujas recomendações atualizadas foram publicadas em 2008, na revista médica Menopaus, transcritos a seguir:

– O tratamento dos sintomas vasomotores (fogachos) continua a indicação primária para Terapia Hormonal (TH geral).

– A TH não é recomendada para tratamento de problemas sexuais exclusivamente.

– A TH não afeta o ganho de peso ou aumento do índice de massa corpórea.

– A TH não está aprovada para melhora da qualidade de vida exclusivamente.

– O uso estendido da TH pode ser opção para mulheres com redução de massa óssea quando outras terapias não são apropriadas, ou a avaliação risco-benefício é positiva.

– A TH pode reduzir o risco de doença cardiovascular quando iniciada em pacientes mais jovens e com menopausa recente.

– A duração mais longa da TH está associada com menor risco para doenças cardiovasculares e mortalidade.

– Pode haver menor risco de tromboembolismo venoso com a TH transdérmica em comparação à TH oral, mas não há evidência científica baseada em estudos randomizados controlados.

– Doses mais baixas podem ser mais seguras, mas não há evidência científica baseada em estudos randomizados controlados.

– O risco de câncer de mama pode estar aumentado com o uso de terapia estrogênio + progestógeno por mais de três a cinco anos. No entanto, a terapia com estrogênio isolado por menos de cinco anos tem pouco impacto no risco de câncer de mama.

– Ambas as terapias, com estrogênio isolado ou com estrogênio + progestógeno podem reduzir a mortalidade total em 30%, quando iniciados em mulheres com menos de 60 anos.

– O objetivo terapêutico é utilizar a mais baixa dose efetiva dos hormônios. As vias de administração não orais podem oferecer vantagens e desvantagens comparadas com a via oral.

– Não há indicação clara se a duração mais longa de TH melhora ou piora as relações risco-benefício.

– Estender o regime de TH para muitos anos (acima de cinco anos) deve ser feito com cautela, apenas em casos específicos.

– A decisão de não interromper ou reintroduzir a TH deve ser individualizada e quando os sintomas persistirem.

– O uso de TH deve ser consistente com os objetivos de tratamento, benefícios e riscos para cada mulher individualmente.


Fonte: Dr. Sergio dos Passos Ramos CRM17.178 – SP

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